sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

se fundem na carne quente e pulsante vida e matéria

esse caminhar
que se atropela

a boca que se come
o inspirar que expira

se desvalído o desejo
e desconheço o dever
que me resta?

nem tão forte
nem tão dada
segura
op!
segura

e se fôdas
só no atropelo dos passos
o atropelo dos passos
o passo que passo que passo
e depois de muito andar
uma sombra
talvez uma fruta
ou uma água pra nuca
talvez esgoto
olhares indagadores

feito de sacrifício
de entrega
feito de sol, de músculos
feito da ânsia
e da indiferença

Com alegria
caminhar
com alegria
comer
com alegria
inspirar
com alegria
desejar
com alegria
cumprir
com alegria
sacrificar
com alegria
gozar
com alegria

GOZAR
porque vivo
I'm glad
"I'm alive"

domingo, 9 de janeiro de 2011

e sejas forte, olhos abertos abertos, fechados fechados
confiar na simplicidade, portanto

simplicidade

como disseram, a vida simples de um índio,
e, oh! que diversa sua morada, que amplo seu mundo
quantas relações na sua familia

pretendias o que?
"a saint"? uma brisa uma fumaça?

és humana
desejas o humano
cultues a vida, o vivificador
onde estiver
entre as baratas
ou buritis
onças ou pardais
sibipirunas ou castanheiras
mata ou matinho

te dedica a reverencia-la, a vida
que é a vida pra tí?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

testemunho

Heis que há uma estrela guia
dentro da qual estou
heis que há a beleza em meio
da desiniquidade e do esquecimento do amor
heis que apesar de guiada
há que andar com próprios passos
voar com a própria força
perceber que à tal força
abre-se canais
e como uma peneira que deixa passar a agua, furadinha
permeia-se à plenitude
que existe por todo lado
que encontra nas matas a celebração de suas formas
da que carecem os que têm os buracos fechados

que se abram
direciono-me à abri-los mais
mantê-los abertos
ser canal
olhos do todo
instrumento
e ainda deliciar-me em perceber
a ampliação do ser

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

àqui me puxa a fúria do redor vertiginoso
porque à calmaria não se vai à igreja
nem à internet
um pequeno templo

as oferendas:
a mente a alto vapor
testemunho do futuro imediato após o presente
umas sementes de anona
o corpo

sussurro: e só faz sentido me calar

sábado, 23 de outubro de 2010

Ressaca

As realidades de desconfirmam na incoerência das evidencias. Os preceitos do assoalho são de tábuas podres que ruem com os passos. Há uma porta pra fora disso?
Devo calar-me novamente, bolar um novo plano que sustente as ações, fingir coerência e continuar. Afirmo coragem e galopo, por vezes engatinho, rumo ao desconhecido.
E tudo isso que já se sabe? Devo pensar todas as verdades da humanidade. E as verdades também ruirão como tais.
Tudo o que tenho. Oque? A sede de saciar a ilusão, vontade de mija-la pra fora de mim. Por que ruas, que cidades, que espaços? Tudo que se harmoniza parece entorpecencia, ilusão. Estrela. Estrela.
_ Estrelaaaa!...
(respirar fundo respirar)
Res piro Res piro
Chove do céu chuva e sono dos meus olhos
Sinto dor nas costas e ansiedade nas tripas.
Andarei para desfazer ideias
Remonta-las nos passos tortos sobre asfalto
O se me deixa
E crendo-se presente a consciência se abre
Que se abra
Para o instante
E que esse se cale

são paulo

Aqui a conexão com o invisível
Se faz doutras formas

Ausente o silêncio
Pois que tantas outras disponíveis
Contatos visuais objetivos informam
Disposições sempre imediatas

Circulada de imagens
Anzóis afiados a disputar minha retina
A infiltrar-se na imagética mente
Disparando o tempo

No sono, um outro corpo humano, os pombos
E as vozes escancaradas da rua
Descobrem no torpor a hostilidade do redor
E guerreiam vigília e exaustão

Inspirador
Áspero inspirar, claro
Tudo acontece
E tento manter a alma nas mãos enquanto corro

20/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

gentofobia

contemporaneamente
ainda assim
agora sim
eis a motriz:
gentofobia

so hard to estar a vontade
estando
so hard to be in a good interacion, si?
solo porque pululam
as believas alimentadas de perecíveis
caramelos de olhos e peles

ah!
es solo porque
seria aparentemente simples crer
no querível


maas

o corpo-ser

se aconforta

nos braços do vertiginoso

infinito

(e dizê-lo refaz
da atmosfera dessas entranhas
os comichões de calma)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

um dia típico atípico típico
tipá tirurinrun- paptipá
corpo forçando limites
água fumaçá e soumm, e a te la qui

tanto a se atentar
que zonzeia
e a velocidade das coisas
agrada
aventura prazer e massa
e, cóff cóff, fumaça

altas possibilidades da grana
qui acolá
que traz?
a condução o rango e o bilhete dum filme distrativo
o que é muito

o que sim?
a fácil possibilidade
as fáceis muitas possibilidades
as iguais possibilidades
porém, bem exercidas

a rodoviária
criança do elevador
olhares
caricaturas humanas
(inclusa eu)
no metrô

e carros
bibliotecas
apartamentos
telefones
sites

e um dia diverso
incluso pras tripas
e pros olhos
que se descobrem capazes
de liberto, escolher os alimentos

busca da ciência do corpo, dos corpos
tudo em seu lugar
inclusive o tempo
o óbvio
e o velado

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

diverso

a luz azul duma bola clara
as quatro sombras na calçada

o pôr de lua abobora
as estrelas todas

morros de capins e afins
o alto dos fiéis
os patos voando no crepúsculo

os pés pelas ruas
a bicicleta pelos cascalhos
a bota entre os matos

três redores donde faço-me
três disposições
três estares

quantos mais?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

negligência

inegligência




quietude
movimento ação transformante
quietude




prazer
querer

alucina
insana
febre

quietude
decanta
calma calma
decanta



presente
agora
pergunta
quietude
futuro futuro

c a l m a
c a l m a
tranquila
movimento ciente
ciente
ciência
calma


gente
mais gente
conversa
silêncio leve
silencio denso
acoplamento
desacoplamento
gente, gente
trago
cuspe
gozada
transtorna

ah
c a l m a
será sã
será sã
pe lê na
p l e n a
t r an q u i llla


















sã...